No livro “ O Erro de Descartes” Damásio descreve o processo pelo qual nós fazemos as escolhas:
Quando o cérebro selecciona um estimulo exterior, recolhe, muitas vezes de forma imperceptível, os sinais fisiológicos agradáveis ou desagradáveis que o corpo dá vindos de todos os orgãos da nossa estrutura corporal.
São esses vestígios, muitas vezes imperceptíveis, que nos dirigem , orientam e nos guiam denominando-se a esses indícios a emocionalidade ou o afecto. Há certas partes do nosso cortex frontal- parte da frente- que aprendem a associar desde logo determinados tipos de acontecimentos, por exemplo à morte de alguém, à ruptura numa relação amorosa a certos estados corporais que esses acontecimentos geram.
Do mesmo modo, a uma qualquer experiência emocional, o sistema fisiológico do corpo igualmente se altera como reacção. A acção que então tomamos quer seja na forma de palavras, actos,pensamentos ou estados emocionais, fica como que registada no cérebro e se por acaso surge o mesmo tipo de acontecimento mais tarde, o cortex cerebral reage exactamente da mesma forma que tinha aprendido a “lidar” com aquele determinado acontecimento.
Dentro deste contexto, as emoções são o reflexo mental dos nossos estados corporais da seguinte maneira:
A um estado fisiológico desagradável corresponde uma emoção negativa enquanto que a um estado fisiológico agradável corresponde uma emoção positiva.
Consequentemente, são as emoções que desempenham o peso maior dentro do processo de tomada de decisão pois que ao sentirmos por exemplo uma reacção corporal negativa “pressentimos” que teremos de nos poupar, ao passo que sendo uma reacção fisiológica positiva fazemos os possiveis e os impossiveis para concretizar com sucesso aquela ideia/pensamento/sentimento.
Tudo isto se demonstrou em doentes que tendo ficado privados dessas pistas corporais por lesôes ou acidentes nos lobos frontais do cérebro não obtêm a necessária intuição antecipadamente. Essas pessoas funcionam, mas apenas através da razão e por lhes faltar a avaliação emocional das situações são incapazes de decidirem de acordo com o que acreditam e com o que são na sua essência.
As emoções são as grandes guardiãs e o espelho de quem nós somos.
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